Mais do que treino de reforço positivo os cães precisam de uma educação amável que os compreenda e respeite como tal. Na educação amável não há lugar a castigos, ralhetes nem correcções. Muito menos se utilizam técnicas e ferramentas de treino aversivas ou qualquer outra coisa que provoque dor ou desconforto ao animal. Temos sim que sentir empatia pelo cão e criar um vínculo emocional com ele baseado em confiança mútua.
A educação amável não se limita a modificar comportamentos, mesmo que para essa alteração se utilize unicamente o chamado reforço positivo. Trata-se, sobretudo, de perceber o que é que está por trás da conduta do cão, qual a sua causa e trabalhar a partir daí.
Muitos dos chamados comportamentos indesejados dos nossos amigos de 4 patas têm na sua raiz stress e medo. Para além destes estados emocionais também uma grande parte das suas condutas são causadas por problemas físicos ou doenças que lhes provocam dor ou desconforto. Ao trabalhar unicamente sobre os comportamentos, estamos apenas a mascarar os problemas pois não temos em conta as emoções e as dores físicas ou psicológicas que os causam. Por vezes ao tentarmos resolver as condutas com base no auto-controlo do cão e na chamada obediência básica (expressão que não gosto de usar, prefiro dizer educação básica) corremos o risco de frustrar o animal, impedindo que o mesmo comunique de forma correcta e que resolva a situação sem conflitos, tal como o faria um cão equilibrado na natureza.
Outra premissa para que o treino amável se possa realizar com sucesso é uma boa comunicação com os cães nos dois sentidos. Se por um lado nós temos que perceber de forma correcta o que eles nos querem dizer, no sentido inverso, temos que saber transmitir-lhes o que queremos comunicar.
Gostaria ainda de sublinhar que a modificação comportamental baseada em educação amável leva tempo. Quanto? Depende de muitos factores, entre eles: de cada cão, do seu historial, do ambiente em que vive e do tempo que os tutores dedicam ao treino.
Termino citando a treinadora norueguesa Turid Rugass no seu livro “A Linguagem dos cães – Os Sinais de Calma”. Uma obra que deveria ser lida por todos os que interagem com cães, desde treinadores, tutores, veterinários, tosquiadores, etc:
“Depende de ti o tipo de relação que desejas estabelecer com o teu cão. Pode aprender a temer-te e passar toda a sua vida atemorizado e a sentir-se mal ou podes fazê-lo sentir-se melhor, que confie em ti e não tenha nada a temer; neste caso, o cão, muito provavelmente, nunca terá necessidade de mostrar-se numa posição defensiva e, deste modo, é menos provável que chegue a morder alguém.”
Este artigo foi escrito pelo especialista convidado António José Soares – Educador canino / Tico & CÃOpanhia
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