A MESA COMO PROTAGONISTA

Nesta época natalícia, naturalmente propícia a imagens Isis Campos e Nadya Zotovareuniões à volta de uma mesa, faz com que este elemento nas nossas casas ganhe destaque. A sua importância e o modo como interagimos com ela torna-a protagonista das reuniões de várias pessoas, como já dizia o escritor Paul Krüger, no seu livro Steel Crow Saga, “Partilhar uma mesa com alguém é partilhar tudo.”

De um modo breve vou explicar como a simples escolha da forma do tampo da mesa pode condicionar ou fazer fluir o modo como socializamos nela.

Vejamos alguns exemplos:

A mesa retangular para 8 ou mais pessoas, define naturalmente hierarquias de posição e de socialização com os lugares
dos topos, que ganham um destaque especial, a pessoa sentada nestes lugares, naturalmente é ouvida por todos quando fala.

Já nos lugares laterais ao topo, a comunicação entre estes, e os laterais do outro topo, está condicionada, pelos lugares do centro, que impedem que haja visibilidade direta. Ao impedir o acesso igual a todos os elementos que se coloquem no centro da mesa, propicia a socialização entre as pessoas, para fazer a distribuição dos alimentos, criando uma dinâmica ativa de interação.

A mesa quadrada, se for para 8 pessoas faz com que naturalmente não hajam hierarquias nem lugares de destaque, e a
visibilidade direta de todos os intervenientes está favorecida e sem bloqueios.

No entanto o fato de associar os intervenientes em grupos de dois, em cada um dos lados, propicia a parcerias sem anu-
lar a individualidade e independência de cada um, uma vez que todos tem acesso igual aos elementos do centro da mesa.

No entanto pela associação natural que faz em grupos pode levar a uma socialização polarizada e de extremos, podendo
induzir a posturas mais separatistas.

No entanto pela associação natural que faz em grupos pode levar a uma socialização polarizada e de extremos, podendo
induzir a posturas mais separatistas.

Mesa redonda, pela fluidez e continuidade da forma as hierarquias e os destaques não se sentem, e a visibilidade e
acessibilidade é igualitária para todos os lugares. O tema central passa a ser a socialização

Mesa oval, assim como a redonda, pela fluidez e continuidade da forma as hierarquias e destaques nos lugares estão
menos acentuadas do que no caso de uma mesa retangular, mas conforme o posicionamento das cadeiras, ainda se
pode sentir.

A acessibilidade aos elementos do centro é condicionada a uma interação com entre os usuários.

Mesa disforme trapezoidal, pela sua geometria permite a visibilidade e acessibilidade igual de todos os lugares, mas continua a criar destaques e a subdividir em grupos, agora não todos iguais, mas de números diferentes, criando dinâmicas fluidas na interação social. O acesso aos elementos do centro da mesa, também podem estar condicionados para alguns elementos, provocando a socialização.

Esta breve reflexão demonstra como é importante escolher a mesa das refeições em nossa casa, pois esta pode-nos ajudar a criar interações sociais mais de acordo com aquilo que pretendemos fomentar e que mais demonstrem a identidade de cada família, sempre tão diversas como cada ser humano.

Claro está que conforme o espaço em que esta se insere, a opção de uma forma ou outra pode estar condicionada, assim como o próprio material com que esta é feita, madeira clara, escura, com brilho sem brilho, vidro ou qualquer outra opção continuam a ser veículos de características e identidade e condicionantes das interações nesta.

Trata-se de tentar perceber o que é mais importante para nós e o que reflete a nossa identidade e a identidade do espaço em que habitamos.

A ajuda de um profissional na hora de fazer todas estas escolhas, facilita o processo e torna as escolhas mais conscientes e até geradoras de mudanças nas dinâmicas relacionais.

“Se a casa é o corpo, a mesa é o coração, o centro pulsante, o suporte da vida e da saúde “
Shauna Niequist, ‘Bread and Wine: A Love Letter to Life Around the Table with Recipes’

Isis Campos

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Arquiteta de formação em Portugal e Brasil e com uma paixão desde criança por Design.

Com experiência profissional em Portugal, Brasil e Espanha na definição de espaços exteriores e interiores, especializei-me em dar carácter aos espaços interiores segundo as premissas e requisitos das pessoas a quem estes se destinam e de cada função a que este espaço pretenda responder.

Fundadora da empresa BELEZA INTERIOR – ARQUITETURA E DECORAÇÃO DE INTERIORES.
Acredito que é o espaço interior que realmente define e atribui a verdadeira ALMA aos edifícios, pois em termos práticos, é exatamente neste que vivemos e com o qual interagimos diretamente.

É na formação de base de Arquiteta que apreendi as ferramentas para pensar os espaços, mas foi nas várias experiências profissionais que percebi que os espaços por si só não funcionam se não forem feitos e pensados para as pessoas, pelo que hoje em dia muito mais do que criar espaços bonitos pretendo ir de encontro aos problemas práticos destas pessoas ajudando-as com as soluções técnicas a viver melhor, e
com isto conduzi-las a encontrar o seu belo.

Quando me perguntam se é necessário um grande valor económico para concretizar o que idealizam, hoje em dia o mercado consegue sempre ter respostas para todos os ideais, no entanto trata-se sempre de uma gestão optimizada da relação qualidade / preço.

”A regra a seguir é esta : uma casa para todos e beleza para todos.
A beleza é simplicidade, verdade, proporção. Coisas que dependem muito mais da cultura e da dignidade do que do dinheiro. ” – Sophia de Melo Anderse

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